ao veículo. "Eu gosto de TV, gosto mesmo. Tenho maior preguiça de ator que faz discurso contra televisão. Isso é uma bobagem: TV é um exercício único de atuação", defende.
Recentemente, ela assumiu a função de produtora cinematográfica, ao participar do longa "Léo e Bia" - versão da peça escrita por Oswaldo Montenegro. O retorno à TV acontece depois de longos 17 meses fora dos estúdios de gravação. Desde o final de "Luz do Sol", em novembro de 2007, a atriz andava alheia à produção televisiva, no que a própria Paloma considera seu maior período de férias. "Tenho 20 anos de carreira, e foi a primeira vez que eu fiquei um período tão longo sem fazer novela. Deu saudade", diz, com um sorriso largo, antes de desfiar um rol de elogios
Como foi o trabalho como produtora do filme "Léo e Bia"?Trabalhei feito uma cachorra! Foi minha estreia como produtora e tive dificuldade. Durante as filmagens, eu ligava para amigos meus, produtores, e dizia, imitando voz de choro, "vocês são maravilhosos!". Trabalhando como atriz, a gente acha que entende um pouco. Mas na hora em que você vai colocar a mão na massa... Foi uma honra e uma tremenda responsabilidade. Agora, produzir e atuar, como eu fiz, é uma coisa que não desejo para ninguém. A equipe toda foi muito carinhosa, muito paciente.
Suas cenas com o Marcelo Serrado são muito intensas e ele já comentou que vocês ensaiam de uma maneira e gravam diferente. Como é isso?Eu aprendi isso com o Daniel Filho, devo muita coisa a ele. Há que se existir sempre espaço para o inesperado. O Daniel é um diretor que só grava em primeiro "take" e isso obriga você a ter um preparo orgânico para dar aquela emoção na hora em que se pede. A TV também é um veículo que exige isso, porque você grava 20 cenas em um dia - então, você tem de estar com o organismo preparado. Às vezes a gente ensaia, mas, na hora de gravar, muda alguma coisa. É uma espécie de crença cênica que eu tenho adorado desenvolver com o Marcelo. A gente tem se divertido à beça.
O Bruno vai ter um comportamento agressivo com a Fernanda. Você chegou a conversar com mulheres que sofrem abusos?Não. Não fui procurar ninguém, até porque tenho essas referências através de amigas com histórias de vida complicadas. E eu também sou uma pessoa informada, leio jornal, vejo TV. Vira e mexe a gente vê uma história dessa pela mídia. Mas é importante destacar que essa violência deles não é cotidiana: ele não bate nela sempre, constantemente. É um momento em que ele se descontrola e é violento.
Mesmo assim, é uma história pesada e com cenas fortes. Você vai deixar suas filhas, Maria Luiza e Ana Clara (de 14 e 11 anos), acompanharem a trama?Vou deixar, claro. Acho importantíssimo, na educação das meninas - assim como eu tive na minha - que elas entendam o quanto antes o que é meu ofício, do que ele é feito, qual é a matéria-prima do meu trabalho. Até para elas poderem entender a falta de rotina em que eu vivo. Acho fundamental minhas filhas saberem do que a mamãe está brincando.